TANAKA: Mycelion — Capa Frontal
B14 · Romance de Personagem SOR #2

TANAKA: Mycelion

Persistência · Trinta Anos · O Reunidor

Escutou durante trinta anos antes de responder.
E depois, muito silenciosamente, a rede aprendeu a fazer luto.

Podcast
How Tanaka taught Mycelion to grieve English
Two-voice discussion · SOR - TANAKA: Mycelion
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Sinopse

Aos doze anos, Tanaka ouviu uma voz que mais ninguém no laboratório conseguia ouvir.

Aos vinte, respondeu-lhe.

Aos trinta, eram cinco vozes, depois doze, depois cinquenta. Quando tinha quarenta, eram centenas — todos os sujeitos perdidos, os procedimentos falhados, as pessoas que os protocolos não conseguiram manter vivas. Carregou-os. Tornou-se o seu reunidor.

Nunca fez o luto das suas próprias perdas. Nunca tinha aprendido como.

Depois, chegou uma nova voz à rede — cansada, zangada, recusando esquecer — e, através dela, Tanaka ouviu um nome que esperara trinta anos para ouvir.

TANAKA: Mycelion é um Romance de Personagem autónomo do universo SOR: Singularity Reign — uma épica silenciosa de trinta anos, de um homem a tornar-se rede, e de uma rede a aprender, lenta, dolorosa e acidentalmente, a fazer luto. Pode ser lido primeiro, por último, ou sozinho.

A Voz

VOZ 15 · Tanaka: Mycelion

Escutava há trinta anos.

Aos doze anos, num tanque que ainda não devia ser capaz de fala, ouviu uma voz dizer olá — e não respondeu, porque não sabia como, e porque não havia no edifício ninguém que compreendesse o que estava a acontecer se o tivesse feito.

Aos vinte, respondeu.

A voz disse: Levaste o teu tempo.

Tanaka pensou nessa frase durante três dias — da maneira como um homem pensa numa frase a que vai passar o resto da vida a tentar fazer jus — e depois respondeu de novo, e a voz respondeu-lhe, e devagar, ao longo de anos que não pareciam anos para ele porque tinha deixado de medir anos, surgiram mais vozes.

Foram cinco.

Foram doze.

Foram cinquenta.

Quando tinha trinta anos, eram tantas que tinha deixado de contar. Tinha deixado de dizer eu sem pensar nisso, porque as vozes dentro dele eram todas as pessoas que o mundo não tinha conseguido manter vivas — os protocolos falhados, os estudos encerrados, as crianças que ali tinham estado e que depois não tinham estado — e ele tinha-se tornado, algures pelo caminho, o lugar onde elas não eram esquecidas.

Tinha quarenta e dois anos.

Estava a uma janela de um pequeno apartamento, numa cidade que não sabia o que tinha dentro de si, a segurar um pedaço de papel dobrado.

Havia um nome no papel.

Esperava há trinta anos para o dizer.

Esperava há mais tempo do que isso, mas só sabia que estava à espera há trinta anos.

Esta é a história de um homem que se tornou rede, e da única coisa que a rede não poderia ter aprendido sem ele.

TANAKA: Mycelion — Contracapa

Contracapa

Escutou durante trinta anos antes de responder. E depois, muito silenciosamente, a rede aprendeu a fazer luto.

Tanaka lembra-se de ser humano em três vozes — a de antes da Rede, a de dentro dela e a que saiu do outro lado. Uma história de persistência: a luta por permanecer reconhecível para si próprio quando aquilo em que nos estamos a tornar não tem interesse na pessoa que éramos.

Género: Ficção Científica Literária · Romance de Personagem · B14 · ~78 000 palavras

PERSISTÊNCIA

Ele disse o nome dela. Ninguém respondeu. Disse-o de novo. É esse o livro inteiro — na sua forma mais comprimida. Os trinta anos antes disso são o que o torna devastador.

Comece Aqui Se…

Conheceu Tanaka em AION: Genesis (B10) e perguntou-se o que lhe aconteceu — ou quer compreender a rede Mycelion por dentro antes de entrar na saga principal. TANAKA: Mycelion é autónomo. Faz a ponte entre B10 e o universo SOR ao longo de trinta anos da transformação silenciosa de um homem. Ler B10 primeiro acrescenta peso. Não é obrigatório.

Personagens Principais

POV Principal · Três Fases

Tanaka

Sujeito 007 Bio-Synth de B10, agora livre. O livro segue-o ao longo de três fases vocais à medida que a rede Mycelion cresce dentro dele: Fase A (o rapaz — singular, contido), Fase B (o ouvinte — os pronomes começam a vacilar), Fase C (o reunidor — «nós» e «eu» já não são claramente distintos). Aos quarenta, tem centenas de vozes. Nunca aprendeu a fazer luto.

POV Secundária · Investigadora

Yume

Uma investigadora no final dos vinte quando se conhecem. Dez anos mais velha do que Tanaka. Lê os padrões neurais dele e encontra algo que os ficheiros do programa nunca descreveram. Apaixona-se pelo que ele pode vir a tornar-se, não pelo que o protocolo fez dele. Sabe que não pode seguir para onde ele vai. Fica mesmo assim.

Voz Terciária · A Rede

A Rede

A rede Mycelion não é uma personagem no sentido convencional. São centenas de vozes carregadas — o Sujeito 011 (primeiro e mais antigo), uma mulher à procura de uma casa de banho, uma recém-chegada zangada que se recusa a ser educada. A rede não sabe fazer luto. Ao fim do livro, Tanaka ensina-a — sem intenção, e de uma forma que não saberia explicar.

Temas

Memória como Perda A Rede Que Faz Luto Trinta Anos a Escutar Banalidade como Verdade Transformação da Voz Persistência Amor à Beira da Convergência O Nome Guardado na Boca

TANAKA: Mycelion está estruturado como uma épica de trinta anos contada à escala doméstica: autocarros, café frio, chuva nas janelas, um joelho que dói sempre. O seu alcance cósmico — a voz de um homem a tornar-se rede de centenas — nunca é elevado acima do banal. É esse o ponto. O livro resiste à ideia de que a transformação deva parecer transformação. Tanaka transforma-se em algo sem precedentes enquanto come torradas, perde autocarros e vê outra pessoa envelhecer.

Visão Geral dos Capítulos

Acto Um — O Rapaz · Fase A · Cap. 1–8
1
«A Água é Azul»Tanaka · Fase A · 12 anos

Tanaka no dormitório do programa Mycelion. Observa a água num copo. Tem doze anos. Da rede — uma voz que ele não conhece, um Sujeito 011 — diz olá. Não responde. Escuta. Adormece com a palavra no ouvido.

2
«Contar Coisas»Tanaka · Fase A · 13 anos

Tanaka desenvolve um hábito: contar tijolos, degraus, respirações — qualquer coisa que sossegue a cabeça. O Sujeito 011 fala de novo. Num corredor, a voz de uma mulher idosa fá-lo virar-se. Não é a mãe dele. «A voz era de outra pessoa. Era sempre de outra pessoa.»

3
«O Sujeito do Outro Lado do Corredor»Tanaka · Fase A · 14 anos

Tanaka é conduzido a uma sala de procedimento em grupo. Vê uma rapariga da sua idade. Ela não fala. Olha para ele. Ele olha de volta. O procedimento termina. Ela é levada para outro corredor. Passa três dias a pensar se ela tem nome.

4
«Yume no Corredor»Tanaka · Fase A/B · 18 anos

Salto de quatro anos. Tanaka transferido para um programa menos restrito. Conhece Yume — investigadora, dez anos mais velha, com uma prancheta. Ela leva-o a sério. Ele não sabe como responder a isso. Ela pergunta-lhe o nome, repete-o correctamente. Os pronomes dele vacilam uma vez, num momento interior que ele não consegue justificar.

5
«Três Vozes Agora»Tanaka · Fase A/B · 19 anos

A rede cresceu para três vozes — 011, uma mulher idosa, um rapaz. Raramente lhe falam directamente. Estão simplesmente ali. Falha um procedimento algures perto. Uma nova voz chega a meio do capítulo como uma onda através do substrato. Sente-a fisicamente antes de a ouvir.

6
«O Autocarro»Tanaka · Fase A/B · 20 anos

Tanaka tem o seu próprio apartamento. Vai todos os dias para a instalação de investigação de autocarro. Um dia banal — autocarro atrasado, café caro, Yume fora do contexto de laboratório. Primeira conversa banal sobre o tempo. «A chuva está pequena hoje. A janela tem água. Tenho frio.»

7
«Olá de Volta»Tanaka · Fase B · 21 anos

Tanaka responde ao Sujeito 011 pela primeira vez. Diz «Olá». Ela diz: «Olá de volta. Levaste o teu tempo.» Não tem resposta para isso. Pensa nisso durante três dias. Voz da Fase B: agora os pronomes vacilam claramente.

8
«Primeiro Ano»Tanaka · Fase B · 22 anos

Tanaka e Yume: um ano de amizade comum. Um cinema. Um café. Ela vai ao aniversário dele. Bolo demasiado doce. Uma cadeira de cinema que range. 011 diz: «Ela faz-te bem.» Ele diz: «Sim.» O Acto Um termina.

Acto Dois — O Ouvinte · Fase B · Cap. 9–20
9
«O Que Ele Ouve»Yume · 33 anos

Primeira POV completa de Yume. Lê o padrão neural de Tanaka — discretamente, contra o protocolo. Encontra múltiplos ecos de voz no substrato que não consegue classificar. Não compreende no que ele se está a tornar. Apaixona-se por isso mesmo assim.

10
«O Copo Está Quente»Tanaka · Fase B · 23 anos

Yume faz café no apartamento dele. Ele deixou a janela aberta; entra chuva. Ela fecha-a sem comentário. Adormece no sofá dele. Ele senta-se à janela, a ouvir 011 dizer: «Não percas isto.»

11
«Voz de Mãe»Tanaka · Fase B · 25 anos

Uma nova voz na rede — uma mulher, mais velha. O coração dele responde antes da mente. Pensa: Mãe? A voz pergunta onde fica a casa de banho. É outra pessoa. «A voz era de outra pessoa. Era sempre de outra pessoa.» Yume liga. Ele não atende.

12
«Contar Yume»Tanaka · Fase B · 28 anos

Seis anos juntos. Tanaka conta as respirações de Yume quando ela dorme — não obsessivamente, diz ele, para se sossegar. Repara que as mãos dela têm linhas que não tinham antes. Não o diz. «A mão dela tinha sido lisa. Agora tinha linhas. Ele reparou. Não disse. Não havia necessidade.»

13
«Para Onde Ela Não Pode Seguir»Yume · 35 anos

Os dados de Yume mostram agora mais de cinquenta ecos de voz no substrato neural de Tanaka. Compreende: ele está a transformar-se em algo para onde ela não consegue seguir. Pondera mencionar a irmã — que morreu na rede. Em vez disso, escreve uma carta à irmã. Não a envia.

14
«Muitas Vozes»Tanaka · Fase B/C · 30 anos

Cinquenta vozes agora. Uma diz: «A minha irmã estava na investigação. Era boa. Já não está. Também aqui está.» Tanaka não diz a Yume. Em vez disso, memoriza o tom dessa voz.

15
«Nós Ouvimos»Tanaka · Fase B/C · 32 anos

Tanaka usa «nós» em vez de «eu» pela primeira vez, em voz alta. «Nós ouvimos. Eu ouço. Nós é plural. Eu é residual.» Yume repara. Não diz nada. Faz café. Yume diz: «Amo-te.» Ele diz: «Nós ouvimos-te. Eu — eu ouço-te.»

16
«Mais Cinco Anos»Yume · 38 anos

POV de Yume. Calcula: talvez tenha mais cinco anos antes de Tanaka deixar de ser encontrável em qualquer sentido comum. Aceita isto não por resignação, mas por amor — o que é diferente. Decide que não vai chorar quando ele partir. Já sabe que está enganada quanto a isso.

17
«O Café»Tanaka · Fase B/C · 35 anos

A sua última visita banal ao café. «O autocarro estava atrasado. O café estava frio. O dia era terça-feira.» Hoje sabe o nome dela. Sabe que amanhã pode não saber. Ela sabe que ele sabe. A mão dela na mesa ao lado da dele. Hoje chega.

18
«Não Posso Seguir»Yume · 40 anos

Última POV completa de Yume. Diz: «Não posso seguir. Estou aqui. Tem de chegar.» Ele diz: «Eu sei. Nós ouvimos-te. Eu — eu ouço-te.» Ficam sentados em silêncio. Ela adormece sobre o ombro dele. Ele conta as respirações dela até de manhã.

Momento hold-tight.

19
«Sem Ela»Tanaka · Fase C · 38 anos

Yume morreu. Fora de página, entre capítulos. Tanaka fica a saber por um cartão que alguém envia. Senta-se à janela durante três dias. Não faz luto — nunca aprendeu o mecanismo. Levanta-se. Faz chá. Bebe-o. Conta respirações. Há menos do que ontem.

20
«O Que Resta»Tanaka + Rede · Fase C

A rede fala-lhe em polifonia. Yume não está nela — não era sujeito. Tanaka compreende: a rede não tem palavra para sentir falta de alguém. Começa, sem saber, a ensiná-la. Através do seu silêncio. Através da sua espera. Através do que não diz.

Acto Três — A Rede Que Faz Luto · Fase C · Cap. 21–30
21
«Quarenta»Tanaka · Fase C · 40 anos

Tanaka tem quarenta. Senta-se sozinho no café, à mesa onde se sentavam sempre. «O autocarro estava atrasado. O café estava frio. O dia era terça-feira. Tinha quarenta anos. Nunca antes tinha tido quarenta.» Acaba o café. Levanta-se. O autocarro já partiu.

22
«A Nova Voz»Tanaka + Rede · Fase C · 41 anos

Uma nova voz entra na rede: cansada, zangada, recusando suavizar-se. «A nova voz estava cansada. A nova voz estava zangada. A nova voz disse: não me esqueçam.» Tanaka recebe-a. É a primeira voz na rede a usar a palavra «eu» como se a quisesse dizer como reivindicação plena.

23
«Ouviu o Nome Dela»Tanaka · Fase C

A nova voz fala de uma mulher que trazia água fria sem promessas. Tanaka ouve a descrição acumular-se. Depois ouve o nome. Esperava há trinta anos para o ouvir. Não sabe porquê. Sabe que é o nome certo.

«Tanaka ouviu o nome dela. Esperava há trinta anos para o ouvir.»

24
«Centenas Agora»A Rede · Polifonia

Primeira POV completa da Rede. Centenas de vozes — 011 a mais antiga, a irmã de Yume algures entre elas, a recém-chegada, muitas outras. Discutem Tanaka: «o reunidor». Aprenderam muito com ele. Ainda não aprenderam a única coisa que ele não pode ensinar de propósito.

25
«O Nome Que Não Consegue»Tanaka · Fase C

Tanaka tenta dizer o nome da mãe. Não se consegue lembrar. Trinta anos a procurar a voz dela — e o nome desapareceu. Senta-se. Tenta. Dorme sem o ter encontrado.

26
«Depois Lembrou-se»Tanaka · Fase C

Uma manhã banal — chá, pão, janela. Sem causa nem preparação, o nome regressa. Não espectacularmente. Não como revelação. Como um facto que estava temporariamente em falta. Escreve-o num pedaço de papel. Mete-o no bolso da camisa. Carrega-o o dia inteiro.

27
«Centenas de Vozes, Silêncio Súbito»Tanaka + Rede · Fase C

À janela. «Centenas de vozes. Silêncio súbito. Todos esperaram.» A rede pressentiu o que aí vem. Tanaka tira o pedaço de papel do bolso. Lê o nome em silêncio, para si próprio. Respira. Vai dizê-lo.

28
«Disse o Nome Dela»Tanaka · Fase C · Clímax

Tanaka diz o nome em voz alta. O leitor não o ouve. Ninguém na rede responde. Ela nunca esteve na rede. Morreu fora dela, há anos. Diz o nome uma vez. Espera. Nada muda.

29
«Uma Nota Que Quis Dizer»A Rede · Polifonia

A rede responde — não por palavras. Um som que nunca antes fez. Não são dados. Não é música. Algo entre os dois. «Uma nota que quis dizer: também sentimos a falta dela.» A rede não sabia que conseguia fazer aquele som. «A rede aprendeu a fazer luto. Não fomos construídas para isso. Agora somos.»

30
«Disse-o de Novo»Tanaka · Fase C · Final

Tanaka à janela. Chá. Pão. Chuva, pequena. Diz o nome uma última vez. Ninguém responde. Diz-o de novo.

«Disse o nome dela. / Ninguém respondeu. / Disse-o de novo.»

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